Minicurso: Branquitude e Branqueamento: conceitos em questão

Branquitude e Branqueamento: conceitos em questão

Palestrante:

Ana Helena Passos

Mestra e Doutora em Serviço Social pela PUC-RJ. Professora da Unicastelo. Pesquisa estudos críticos da branquitude, racismo, história afro-brasileira e educação étnico-racial.

Programa

O minicurso Branquitude e Branqueamento: conceitos em questão objetiva refletir sobre conceitos que são envolvidos na discussão sobre relações raciais brasileiras, em específico, aqueles nos quais a discussão centraliza o lugar do branco nessas relações. A partir de teorias sociais sobre branquitude, o curso pretende lançar um olhar para a construção histórica do Brasil problematizando o lugar de privilégio do grupo coletivo branco em contrapartida a negação dos lugares das outras racialidades.

Partindo de leituras que caminham por diversas áreas como sociologia, antropologia, história, psicologia social e mais, o debate sobre os conceitos da branquitude e branqueamento abre espaço para uma nova arena de discussão sobre o racismo, numa inversão epistemológica no qual o branco assume o lugar de objeto pesquisado.

No entendimento sobre a branquitude apontamos o significado étnico-racial do branco. Ser branco consiste em ser proprietário de privilégios políticos, culturais e simbólicos frente às outras racialidades. A teoria social abordada no curso trará a histórica formação hegemônica da construção da identidade racial dos sujeitos brancos.

Módulos

09/05 – A categoria raça em análise e a política de branqueamento no Brasil.

Esse módulo será dedicado a uma reflexão sobre a construção analítica da categoria raça a partir das teorias raciais do século XVIII e como essas teorias influenciaram a formação social brasileira em relação às políticas raciais pós abolicionistas.

Livros de referência:
1 – HOFBAUER, Andreas. Uma História de branqueamento ou o negro em questão.
2 – MISKOLCI, Richard. O desejo da nação: masculinidade e branquitude no Brasil de fins do XIX.

16/05 – A Psicologia Social do Racismo e os significados da introdução do debate da branquitude no Brasil.

Ao inverter a epistemologia dos estudos sobre relações raciais brasileiras trazendo o foco para a branquitude, o livro “A Psicologia Social do Racismo” organizado pelas psicólogas sociais Iray Carone e Maria Aparecida Silva Bento abre um novo espaço de reflexão a partir do silêncio sobre o lugar do branco na formação das relações raciais brasileiras. Uma obra pioneira e de valiosa contribuição para o estudo das relações raciais e a introdução do tema da branquitude nesses estudos.

Livro de referência:
1 – CARONE, Iray & BENTO, Maria Aparecida Silva. Psicologia Social do Racismo: Estudos sobre a branquitude e branqueamento no Brasil.

23/05 – Branquidade: identidade branca e multiculturalismo – O debate da branquitude em outros espaços sociais e suas contribuições.

A coletânea “Branquidade: identidade branca e multiculturalismo” organizada por Von Ware marca a discussão sobre o branco enquanto objeto/sujeito de pesquisas acadêmicas. O livro oferece ensaios de pesquisadores de diversos lugares do mundo e esse será o mote da discussão deste módulo.

Livro de referência:
1 – Ware, Von (org.). Branquidade: identidade branca e multiculturalismo.

30/05 – A contribuição do Dossiê Branquitude e as novas configurações raciais brasileiras.

Uma década após a introdução do debate sobre branquitude no Brasil pelas obras “Psicologia social do Racismo” e “Branquidade: identidade branca e multiculturalismo”, o “Dossiê Branquitude” reúne antigos e novos pesquisadores sobre o assunto num debate que interseccionam pesquisas e levanta discussões sobre o branco em nosso contexto atual. São treze artigos que nos faz pensar o branco na teoria social brasileira.

Livro de referência: 1 – SCHUCMAN, Lia Vainer  & CARDOSO, Lourenço. Dossiê Branquitude.

Inscrições

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do inicio da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

Data

09/05/2015 a 30/05/2015

Dias e Horários

Sábados, 10h às 13h.

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285
4º andar do prédio da FecomércioSP
Bela Vista – São Paulo/SP

Valores

R$ 18,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 – inteira

Inscrição pela Internet:

Clique neste link para acessar a página do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc de São Paulo.

Lembrando que para nós que estamos cursando graduação, terá validade como horas complementares, totalizando 20 horas totais para os quatro encontros.

Relações étnico-raciais, gênero e diversidade: Resumo de aula 06/Abril/2015

Atividade em sala: elaboração de perguntas em grupos sobre o texto “Intolerância à Diversidade Sexual” de Gustavo Venturi à Fundação Perseu Ábramo.

“O Estado deve interferir contra a discriminação da população LGBT?”

  • importância do respeito ao direito do nome social da pessoa que faz suas escolhas sexuais;
  • população LBGT na mídia, enquanto poder ideológico na sociedade;
  • mídia no geral mais atrapalha na formação das pessoas do que auxilia, em geral incorpora a pop LGBT no discurso, erra ao disseminar caricaturamente esta população, chacotas e piadas, etc.

Relações étnico-raciais, gênero e diversidade: Resumo de aula 23/Março/2015

Apresentação das personalidades escolhidas para o dia das mulheres.

Diálogo sobre o texto Masculinidades – Thiago e Márcia

Ao homem é tido como “natural” saudável, másculo, sem necessidades medicamentosas. Isso é um contexto negativo para o homem.

Na antiguidade o homem é tido como perfeito, em razão do órgão masculino, enquanto a mulher é um ser inacabado.

Renascimento – período do humanismo – ressalta o homem em contexto do teocentrismo.

Iluminismo – com o avanço da tecnologia médica, objetiva-se a distinção entre os sexos.

Iluminismo – biologia surge como ciência para ressaltar a diferença entre os sexos, havendo reducionismo pelo modelo biomédico.

  • Ponto de vista da saúde – corpo masculino e feminino.
  • Mulher torna-se alvo central na medicalização – sec XIX
  • Filme: Ninfomaníaca (sugestão);
  • Ginecologia – surge no sec XIX;

Estereótipos femininos: fragilidade, beleza voltada para a procriação, frigidez (prazer não necessário), existência como condição normal para patologias.

Âmbito político: há reação ao controle machista.

Ondas do feminismo na história.

  • primeira: sufragista – direitos políticos;
  • segunda: liberação –  discutem sexualidade e relações de poder

Sempre quando se pensa em gênero é relacionado à desigualdade feminina e geralmente não há o masculino, coibido de expressar sentimentos, dores, etc (culturalmente falando).

Morbimortalidade: incidência de doenças e/ou óbirtos em uma população.

Violência externa (causas externas) – atinge principalmente jovens negros.

Homens: prisioneiros e vítimas no processo cultural da masculinidade hegemônica, há repressão das necessidades da saúde, emocional, entre outras.

  • Masculinidade: implica em não realizar exames de prevenção, não usar preservativos, falta de campanhas próprias de prevenção na área de saúde para o homem, comportamento agressivo.
  • Vítimas fatais em decorrência do machismo cultural.

Outro paradoxo: monopólio masculino na produção de conhecimento em refletir sobre si próprio e do outro.

Generalista: “todos os homens são fortes, provedores, perfeitos”

Crianças e idosos no sistema preventivo de saúde são entendidos como assexuados, ou seja, generalista em suas fases, olhar é prioritário para a mulher, seguido do homem.

Relações étnico-raciais, gênero e diversidade: Resumo de aula 02/Março/2015

Para o dia 16 de Março: Poster ou cartaz sobre personalidade feminina em grupos – os grupos formados na disciplina.

Texto de referência: “não se nasce homem” Mariza Correa (mote de Simone de Beauvoir cientificamente).

Identidade de gênero e identidade de sexo.

Gênero: por oposiçã a sexo é uma construção cultural.

Nós nascemos, ou nos tornamos, homens ou mulheres?

Questão dos “intersexuais” (dois sexos)

Sexo ambíguo – eram chamados de hermafroditas.

Essência e aparência – manipulação cultural.

A identidade de sexo é voltada para o fenótipo corporal enquanto a identidade de gênero são levadas em considerações aspectos culturais, entre outros.

Identidade de gênero: conceitos mais pesados, com mais densidade de estudos.

Simone de Beauvoir: não se nasce mulher, torna-se.

  • Marca o papel da mulher na sociedade;
  • Não tem embasamento e/ou estudos científicos;
  • Atribui papéis e o seu rompimento.

Em cada região há atribuições de papéis específicos para a mulher e o homem.

Para próxima aula:

A procura de um parceiro

Relações étnico-raciais, gênero e diversidade: Resumo de aula 23/Fevereiro/2015

Texto base: Antônio S. A. Guimarães

  • Raça na biologia e antropologia – subespécies; daí o termo racismo tem sua razão de ser.

As ciências naturais – raça – “população” para se referira grupos isolados com características genéticas singulares.

A raça humana é única e indivisível.

Raça, baseado em aparência é uma noção vulgar que não tem respaldo científico.

  • Raça para sociologia: são discursos sobre as origens de um grupo, que termos alusivos transmissão de traços fisionômicos, qualidades morais, intelectuais, psicológicas, etc (conceito fundamental para entender as raças).

Raça – lugar – etnia -> características distintas de um grupo e suas práticas cotidianas e características ou comportamentos habituais.

Associação – pessoas ligadas pelo mesmo interesse

Reivindicar origens e destinos é característica de uma nação.

A democracia racial pregada em 1920 é derrubada em 1953.

Relações étnico-raciais, gênero e diversidade: Resumo de aula 09/Fevereiro/2015

Roteiro de discussão do texto: como trabalhar com raça em sociologia, de Antônio Sérgio A. Guimarães

1 – Qual o(s) objetivos do autor?

2 – O autor trabalha com conceito(s)? Qual (quais)?

3 – Como o autor utiliza os principais aspectos levantados?

4 – Qual (quais) sua (suas) conclusão (ões) principais?

Autor é referência ao traabalhar com raça e etnia.

Conceito analítico pressupõe a ciência, é científico.

O Conceito nativo é o que melhor se apresenta como histórico e de uso imediato.

Na sociedade brasileira o branqueamento foi introduzido historicamente, surgindo a cor parda, como foi algo introduzido oficialmente, deve ser mantida de acordo com o IBGE.

No Brasil, com a libertação dos escravos não foram incluídas socialmente, não havendo inclusão nos espaços de poder entre outros recursos e por esta razão, foram excluídas de todos os recursos sociais e comunitários.

Houve um momento em que a sociedade foi tornada “branca.”

Com o branqueamento, houve a miscigenação da população, surgindo a cor parda.

Dicionário Aurélio, 2010:

Termo negro: 1. preto; 2. diz-se do indivíduo que tem a pele muito pigmentada, escura; 3. sombrio, lúgubre; 4. a cor preta; 5. indivíduo negro; 6. Popular brasileiro: nego.

Termo preto: 1. da cor do ébano, do carvão, negro; 2. diz-se das coisas que se apresentam na cor escura; 3. sujo, encardido; 4. ver negro; 5. popular brasileiro: difícil, perigoso.

Há diversos pensamentos sobre o uso do termo raça, mesmo enquanto humano, tentam traçar um pensamento de que todos são iguais e esta definição nega que haja o preconceito que está imposto e colocado no Brasil, passando a ilusão de que há uma democracia racial em que todos são iguais, que não existe em nenhum lugar do planeta.

Quando falamos de lugares, “meu povo faz, meu povo se comporta, o pessoal de São Paulo faz de determinado jeito, etc…” este conceito se refere à etnias.

Estado weberiano – garantido pelo uso da força.

Estado nação – ligado à etnia, raça, cultura, etc.

Naturalização – carrega muito preconceito imbutido neste discurso, segundo o autor. Quando há naturalização, acarreta alguns preconceitos.

Aferição de cor pela população: institutos de pesquisa utilizam atualmente como melhor método a autodeclaração.

Identificação como negro e pardo, analiticamente entende-se como preto.

O termo raça demonstra a discriminação e preconceito, trata-se da bandeira de luta de alguns movimentos negros para retomar o termo raça, reutilizando-o para demonstra o conflito.

Censo 2010 – mais de 50% da população brasileira se declarou como negra.

Brasil é o segundo país com população mais negra, excluindo os países africanos.

Racialismo – marcou a sociedade brasileira – pagina 100

Casa Grande e Sezala – buscar informações – apresenta a importância do negro para a cultura brasileira mas não mostrava os conflitos, passando a impressão de uma igualdade racial e étnica. Escravas eram entendidas como trabalhadoras voluntárias mesmo quando iniciavam sexualmente os filhos dos brancos.

Freyre romantiza a situação dos negros escravos que foram trazidos de África.

Autor é demonizado pela sociedade por amenizar o conflito real, mas valoriza a cultura negra em um momento em que não há reconhecimento negro na sociedade brasileira.

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